quinta-feira, 30 de maio de 2019

Segredo Além do Jardim

Eu vi esse desenho recentemente e queria muito comentar sobre ele, porque achei ele incrível. Ele é relativamente curto, com apenas 10 episódios que contam a história dos irmãos Wirt e Greg, que estão perdidos em uma floresta e tentam voltar para casa.
O que eu mais gostei, é que ele além de um desenho engraçadinho e muito bonito, ele reflete várias questões psicológicas, e quando você observa bem, ele é um desenho muito profundo. E eu queria comentar algumas coisas sobre, e coisas que eu relacionei com o desenho e a minha vida. Contém alguns spoilers.


Achei muito interessante a relação entre os irmãos. Wirt é um adolescente, e só quem foi adolescente com um irmão mais novo de idade totalmente diferente sabe o choque de gerações que é. É complicado as vezes a gente aceitar nossos irmãos mais novos. Discordamos de coisas como a criação deles, discordamos de atitudes de nossos pais que são naturalmente diferentes da nossa criação. E ao mesmo tempo carregamos uma certa responsabilidade de cuidado do irmão mais novo em si. Muitas vezes, isso tudo misturado leva a uma relação complicada ou até mesmo o desprezo com o irmão mais novo, pelas atitudes que ele toma.
Quando eu era mais nova, eu não gostava de ficar com o meu irmão. Achava ele irritante, vivia brigando com ele, desprezando ele. Então um dia, eu lembro que eu fui em um desses retiros católicos, e eles fizeram tipo uma dinâmica de poder falar com "atores" o que gostaríamos de verdadeiramente falar com nossos pais e nossos irmãos. Curiosamente, eu não tinha nada a falar com meus pais, minha relação com eles sempre tinha sido muito transparente até então. Mas, com meu irmão eu senti uma necessidade de pedir desculpas, de dizer o quanto eu amava ele e que não era certo o que eu estava fazendo.
Desde então, eu vejo que construir uma relação de amizade duradoura com o meu irmão é muito importante, porque na prática, somos só nos dois no mundo além dos nossos pais. E eu vejo que meus pais tem relações complicadas com os irmãos deles. E eu não gostaria que isso fosse possível.
E agora falando do Greg, a visão do irmão mais novo: Ele se preocupa com o mais velho ao mesmo tempo que vê nele um exemplo e um porto seguro. Mesmo que o Wirt falhe as vezes, ou se mostre incapaz de fazer as coisas. E eu nunca poderia ter essa visão do mais novo, porém o Greg faz muito refletir que as vezes os irmãos, quando eles amam a gente, eles podem tomar atitudes que achamos irritantes ou infantis, mas eles estão pensando no nosso bem.
Eu sei que não é fácil ter esse tipo de relação. Meus pais incentivam todos os dias para que construamos uma amizade e que possamos nos apoiar no futuro.


Beatrice é uma personagem curiosa, e pra mim ela representa um certo clichê dos desenhos, mas que eu acho muito válido: Ela é aquela pessoa que faz alguma besteira ou uma coisa para se culpar e se afasta da família, com medo do julgamento que ela possa receber. Mas, mesmo assim, a família a ama, apesar dos erros que cometeu.
Muitas vezes nos sentimos culpados em relações à nossa família quando fazemos alguma coisa que consideramos errado. E sentimos uma certa pressão em relação a eles, que não podemos decepcioná-los ou algo do gênero. E tem horas que entramos em atrito, porque o a opinião deles sobre o que é melhor para nós mesmos, diverge da nossa própria.
Eu não sei muito comentar sobre isso, porque a minha relação com meus pais é muito boa. As vezes tem essa insegurança de estar tomando uma atitude errada ou estar decepcionando eles, mas meus pais sempre me lembram que querem acima de tudo que eu seja feliz, que eu esteja bem. Eles colocam uma certa pressão para que eu evolua como pessoa e tem horas que eu sinto que estou fracassando nisso. Mas mesmo assim, eles sempre me dão um apoio e me incentivam a continuar. E deixam bem claro (ao contrário do que a Beatriz fez) que eu não preciso fugir deles quando faço algo, que podemos encarar os problemas e as responsabilidades juntos.


Então, temos a Besta / A floresta. E sendo sincera, eu achei a Besta extremamente assustadora para um desenho infantil, principalmente na hora que mostra a forma real dela. Enfim. Acho que a besta representa algo como uma depressão. Algo que te consome, que faz com que sua vida dependa dela (no caso do Lenhador) e que tira de você toda a vontade de seguir em frente. Acho que não teria analogia melhor para descrever, vemos a maneira que a floresta consome as pessoas, deixam-as perdidas e de vez em quando proporcionam um local ou um momento de paz e alegria, mas inevitavelmente você sempre volta para ela. E a Besta, parece representar aquela coisa que temos dentro de nós, aquela consciência "do mal" que está sempre tentando te enganar sobre você mesmo, que te deixa inseguro e paranoico sobre as coisas. 
A depressão é uma doença muito séria, e ainda infelizmente é um tabu para muitos. Eu não sei se gostaria muito de abordar esse assunto, mas eu entendo perfeitamente o que acontece. A única coisa que eu digo é, se você pensa que algo do gênero pode estar acontecendo, é perfeitamente normal procurar por ajuda. 

Enfim, entre outras reflexões que o desenho proporciona, essas foram as que eu mais me identifiquei. Temos vários personagens que refletem coisas, desde "você pode ter todo o dinheiro do mundo e ainda sim sentir um vazio por dentro" ou "quando você acredita em um sonho, e luta por ele, mesmo com todas as adversidades ele um dia dá certo.". São coisas clichês, mas acho que são reflexões sempre válidas. 



Até a próxima.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Primeiro Post?


Talvez isso seja um pouco mais complicado do que pareça...
Vamos lá, não vou entrar em detalhes, apesar de isso ser um blog pessoal. Mas a minha vida passou por umas coisas doidas. Desde então, eu venho tentado me redescobrir a cada minuto. Aprender coisas novas, saber o que eu quero fazer da vida. Quais são meus Hobbies, o que eu gosto e não gosto. A minha profissão... Entre muitas outras coisas.
Tanto que, é até um pouco difícil falar quem sou eu. Pode parecer um pouco cafona soar assim, mas eu sinto que não consigo me rotular em nada. Nunca nada é suficiente pra falar que gosto, ou que não gosto, que não possa experimentar e talvez gostar, ou enjoar.

Bom, sobre o blog. Eu já tive vários blogs. Tinha uma época que eu ficava por conta. E sempre tentei começar um blog novo, e sempre fiz esse post de apresentação falando um pouco sobre mim e sobre qual era a proposta do blog, e achei com que esse não deveria ser diferente. Eu espero que eu consiga realmente trazer algum conteúdo relevante ou experiencias engraçadas que eu passar. E talvez criar um hobbie novo, sei lá.

Bem, acho que é isso por enquanto.